CET 50 anos: como a engenharia de tráfego passou a organizar as ruas de São Paulo

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Rodovia de várias faixas em área industrial, com legenda de projeto viário

Semáforos sincronizados, faixas de pedestres pintadas, placas de desvio em dia de evento e agentes orientando o trânsito em cruzamentos travados. Por trás de boa parte do que se vê nas ruas de São Paulo está a Companhia de Engenharia de Tráfego, a CET, que em 2026 completa meio século de existência.

Uma cidade tomada pelos carros#

Nos anos 1970, São Paulo vivia uma expansão acelerada. A população crescia, a indústria automobilística estava instalada na região metropolitana e a frota de veículos aumentava ano após ano. As grandes avenidas abertas nas décadas anteriores, como as marginais e os eixos radiais, recebiam volumes cada vez maiores de carros, ônibus e caminhões.

O trânsito era gerido de forma fragmentada, e faltava uma estrutura dedicada a estudar os fluxos, planejar a sinalização e operar o sistema viário de maneira técnica. Foi nesse cenário que a prefeitura criou a CET.

A criação e a história da CET em São Paulo#

A história da CET em São Paulo começa com a Lei municipal 8.394, de 28 de maio de 1976, que autorizou a constituição da Companhia de Engenharia de Tráfego. A empresa nasceu como sociedade de economia mista, com capital majoritário da prefeitura, e com a missão de planejar, operar e fiscalizar o sistema viário da cidade. Seu primeiro presidente foi o engenheiro Roberto Salvador Scaringella.

A novidade estava no nome: engenharia de tráfego. A ideia era tratar o trânsito como um sistema a ser medido, estudado e ajustado, e não apenas como questão de fiscalização. Contagens de veículos, estudos de tempo semafórico e projetos de sinalização passaram a orientar as decisões.

O que a engenharia de tráfego faz no dia a dia#

Muito do trabalho da CET é pouco visível para quem passa pela rua. Entre as principais atividades estão:

  • sinalização: projeto e implantação de placas, faixas, marcas no asfalto e dispositivos de segurança;
  • semáforos: programação dos tempos de verde e vermelho, sincronização em corredores e manutenção dos equipamentos;
  • operação em tempo real: monitoramento de câmeras, atendimento a ocorrências, remoção de veículos quebrados e desvios em caso de acidente;
  • eventos e obras: planos especiais para jogos, shows, manifestações, corridas e interdições de vias;
  • estudos e projetos: análise de pontos críticos, alterações de mão de direção e propostas de novas travessias.

Os agentes de trânsito uniformizados, presença constante nos cruzamentos mais movimentados, são a face mais conhecida da companhia. Eles orientam motoristas e pedestres, organizam o fluxo quando um semáforo falha e fiscalizam infrações dentro das atribuições do município.

Do motorista ao pedestre#

Ao longo de cinco décadas, o foco da engenharia de tráfego se ampliou. Nos primeiros anos, a prioridade era fazer os carros andarem. Com o tempo, o transporte coletivo, os pedestres e os ciclistas ganharam espaço no planejamento.

Alguns marcos dessa mudança:

  1. a implantação de faixas e corredores exclusivos de ônibus em avenidas importantes;
  2. o rodízio municipal de veículos, adotado na segunda metade dos anos 1990 para reduzir o volume de carros no centro expandido;
  3. a expansão da rede de ciclovias e ciclofaixas;
  4. a revisão de limites de velocidade e de tempos semafóricos para dar mais segurança a quem atravessa a rua.

Para o pedestre, o resultado aparece em travessias mais bem sinalizadas, faixas elevadas e semáforos com tempo adequado para pessoas idosas e com mobilidade reduzida.

O desafio dos próximos anos#

A cidade de 2026 é muito diferente da de 1976. Entregadores de moto, aplicativos de transporte, patinetes e bicicletas elétricas dividem as vias com carros e ônibus. A engenharia de tráfego precisa lidar com essa diversidade e com a meta de reduzir mortes e feridos, tarefa que depende também de fiscalização, educação e desenho urbano.

Aos 50 anos, a CET segue como peça central para que a maior cidade do país continue se movendo.

O que você ainda pode perguntar#

Quando a CET foi criada? A Companhia de Engenharia de Tráfego foi criada a partir da Lei municipal 8.394, de 28 de maio de 1976, que autorizou sua constituição como sociedade de economia mista controlada pela prefeitura.

O que faz a CET em São Paulo? Planeja, opera e fiscaliza o sistema viário da cidade: cuida de sinalização, semáforos, operação em tempo real, planos para eventos e obras e estudos de segurança no trânsito.

Os agentes da CET podem aplicar multas? Sim, dentro das atribuições do município no trânsito, como infrações de estacionamento, circulação e parada. Outras infrações são de competência de órgãos estaduais.

Última revisão: 2026. Bonde Paulista.